Mesmo condenado a 64 anos de prisão, suspeito de matar estudante na Baixada deixou a cadeia pela porta da frente

Marcos Nunes
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O homem que é suspeito de matar a estudante Marcela de Souza Oliveira, de 26 anos, para roubar um telefone celular, saiu da cadeia pela porta da frente, cerca de dois anos antes da morte da jovem.

Nilton é foragido da Justiça
Nilton é foragido da Justiça Foto: Reprodução

Apontado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) como sendo o autor do disparo que matou a estudante, em Vila de Cava, Nova Iguaçu, no último dia 27, Nilton Pereira, o Nem ou Neném, de 42 anos, havia sido condenado a um total de 64 anos de prisão.

Os dados constam no processo de Nilton na Vara de Execuções Penais. Deste total, ele já havia cumprido 17 anos e sete meses de prisão.

Moisés( no meio de camisa preta) foi preso pela Polícia em Nova Iguaçu

Com 14 passagens pela polícia, incluindo sete crimes de roubo e três homicídios, Nilton foi beneficiado pela Justiça com uma autorização para visitar a família.

Nilton havia sido condenado a 31 anos de prisão
Nilton havia sido condenado a 31 anos de prisão Foto: Reprodução

Saiu do Instituto Penal Benjamim de Moraes Filho, no Complexo de Gericinó, no dia 18 de outubro de 2017 e nunca mais retornou ao presídio. Desde então, passou a ser considerado foragido.

No dia 19 de fevereiro último, Nilton teve mais uma prisão decretada pela Justiça, desta vez uma preventiva. De acordo com a Vara Criminal de Queimados, ele é acusado de praticar crimes de extorsão mediante sequestro, homicídio e lesão corporal grave.

Nilton teve uma nova prisão decretada, desta vez temporária, nesta quarta-feira. Ele foi apontado por Moisés Amorim da Silva, que cerca de 40 minutos após o crime vendeu o celular da estudante por R$ 200 em uma página da Internet, como sendo o homem que atacou e matou a jovem.

Moisés também teve a prisão decretada e já está atrás das grades. No entanto, ele nega a participação na morte da estudante e admite apenas ter negociado o celular roubado.

Nilton Pereira também já era investigado pela DHBF por um outro assassinato. No dia 4 de dezembro de 2018, ele teria sequestrado um motorista de aplicativo e usado o veículo para praticar uma série de roubos e um homicídio.

A jovem estava desaparecida desde o dia 27 de maio. O corpo foi encontrado no último sábado. Ela havia sido vista com vida, pela última vez, pouco antes de deixar a casa do namorado, William Santos, de 33 anos, no Bairro de Vila de Cava. O reconhecimento do corpo foi feito pelo pai de Marcela, Jefferson de Jesus Oliveira, que a identificou por uma tatuagem que a filha tinha nas costas.

Segundo a polícia, Marcela reagiu ao roubo e acabou sendo executada por Nilton. Após o roubo, o assassino jogou o corpo da estudante no Rio Iguaçu, em Vila de Cava, Nova Iguaçu, e entregou o celular roubado para Moisés Amorim da Silva, de 18 anos.

Nesta quarta-feira, o Disque-Denúncia( 2253-1177) divulgou um cartaz oferecendo mil reais de recompensa por informações que levem até a prisão de Nilton Pereira.

O Rio Iguaçu fica a aproximadamente 1,6 quilômetros de distância do bairro Vila Cava. O namorado e Marcela haviam dormido juntos no dia do sumiço. Ele saiu para trabalhar às 7h, e ela ficou dormindo. Ela ia almoçar com os pais, mas não apareceu.

— A gente se assustou porque ela não é de fazer isso. De sair sem dar satisfação. E começamos as buscas. Fomos no hospital, na delegacia e no IML — contou o namorado.

De acordo com a polícia, Marcela foi atacada por Nilton provavelmente quando voltava para casa, também em Vila de Cava.

O corpo de Marcela foi enterrado na tarde da última segunda-feira, no cemitério municipal de Nova Iguaçu. Cerca de cem pessoas acompanharam a cerimônia. No sepultamento, parentes e amigos prestaram uma última homenagem à memória da jovem, cantando músicas e fazendo um momento de oração diante do caixão, que foi mantido fechado.

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